Trocamos figurinhas
Compartilhamos prazeres
Multipliquei tuas alegrias
Ouvi o som da tua alma
Dancei o teu bolero
Elogiei-te, sincero
Acariciei-te o ego
Dei-te remédio
- Que tédio!
Então fui descartado…
Trocamos figurinhas
Compartilhamos prazeres
Multipliquei tuas alegrias
Ouvi o som da tua alma
Dancei o teu bolero
Elogiei-te, sincero
Acariciei-te o ego
Dei-te remédio
- Que tédio!
Então fui descartado…
Haverá o tempo em que as pessoas
não mais olharão os excluídos com medo
tomando-os como ameaça ao belo mundo
construído atrás de cercas elétricas e vigias
.
Haverá o tempo em que as pessoas
não mais olharão os miseráveis com asco
como se fossem produtos apodrecidos
sem lixeiro que dê conta
.
Haverá o tempo em que as pessoas
não mais olharão com ar segregatório
colorindo postos e cargos
com doentias idéias de supremacia
.
Haverá o tempo em que as pessoas
não mais olharão a diferença como divisão
enquanto agem como gado pastando
em sua previsível e padronizada conduta
.
O que sei é que haverá um tempo
em que as pessoas nem mais olharão.
Ando por aquela linha
o fio da navalha
com o peito dos pés amassados
com aquele formato do passado
.
O sabor inesquecível da adolescência
que se vive poucas vezes
sempre relembrados nas festas
que se fazem na minha mente
.
Aquela música resgata o aroma
aquela outra, a abundancia irresponsável
a loucura de ser e de não ser
e tudo inunda o agir…
Águas passadas!
O coração é como o estômago
Basta um pouco de fome
Para que se lance a devorar
Qualquer coisa que esteja ao alcance
I
E como lambe os beiços
Se empanturra
Até que, farto,
Percebe que o consumido
Engolido
E digerido
Em nada lhe atrai o apetite
Sem uma colher de sopa de desespero
I
Muitos temem a solidão
Eu temo o dia em que terei que velá-la
Ao lado de uma nova parceira
Maquiada pelos medos e incertezas
Que adquiri no longo convívio que tive
Comigo mesmo
I
E nesse ímpeto insensato
De colocar o amor numa cesta
E passá-lo no caixa
Acredito que serei levado
À exumação de minha velha amiga
I
E ao triste olhar na terra violada
Escavado túnel que leva ao nada
Deparando-me com o caixão vazio
Terei a certeza de que
Permanecendo como sombra
A finada solidão
Jamais partiu.
O mundo é a roda de nossa saia
e todos giram juntos quando se volta
as luas que são dois par de olhos
apaixonam pelo reflexo
.
Que bom…
.
das grandes cercas farpadas
cujas pontas enroscam o couro
não existe mais mundo
o além requer um pouco de sangue
e um pacto vivo com a coragem
As jogatinas das quartas-feiras
a busca emblemática sedenta
os risos espalhados pelo ar
.
Mas o álcool acaba
e a normalidade sempre volta:
desentope a pia!
almoça na tua tia!
toma chuva fria!