O coração é como o estômago
Basta um pouco de fome
Para que se lance a devorar
Qualquer coisa que esteja ao alcance
I
E como lambe os beiços
Se empanturra
Até que, farto,
Percebe que o consumido
Engolido
E digerido
Em nada lhe atrai o apetite
Sem uma colher de sopa de desespero
I
Muitos temem a solidão
Eu temo o dia em que terei que velá-la
Ao lado de uma nova parceira
Maquiada pelos medos e incertezas
Que adquiri no longo convívio que tive
Comigo mesmo
I
E nesse ímpeto insensato
De colocar o amor numa cesta
E passá-lo no caixa
Acredito que serei levado
À exumação de minha velha amiga
I
E ao triste olhar na terra violada
Escavado túnel que leva ao nada
Deparando-me com o caixão vazio
Terei a certeza de que
Permanecendo como sombra
A finada solidão
Jamais partiu.
1 Maio, 2008 às 2:23 pm |
O coração, quando sente fome, é capaz de adquirir um apetite devorador. Uma vez saciado o que acontece?
Quando amor, torna-se refeição diaria.
Quando paixão, um rodizio numa churrascaria!
Parabéns pela poesia!
1 Maio, 2008 às 5:08 pm |
Disse bem Ítalo…
E como são poucas as refeições diárias hoje em dia!
A vida agitada, guiada pelo distanciamento e pela impessoalidade, leva as pessoas a passagens breves em rodízios de churrascarias…