Um texto que fiz de coração.

15 Junho, 2007

Palavras. Simples palavras. Acho impressionante como uma simples palavra pode ter uma infinidade de sentidos. É uma importante ferramenta para os poetas, escritores e compositores. Vejam só este exemplo: uma das palavras mais usadas por eles é “coração”.
O que pode significar coração:

-O órgão muscular do corpo humano motor central da circulação do sangue: coração.

-Peito (Colocou a mão no coração).

-Emoção sede de afetos: coração.

-A parte emocional de alguém, por oposição a intelectual (ele só age com o coração).

-Memória (o que você fez está guardado no meu coração).

-Amor (conquistou meu coração).

-Parte central ou mais interna de um todo (sua casa fica no coração da cidade).

-Coragem, brio, vigor (teve coração pra viver tamanha aventura; coração de leão).

-Índole, caráter (ele tem um bom coração).

-Segredos (vou abrir meu coração).

-Sinceridade (falo-te com o coração nas mãos).

-Generosidade, bondade (ele tem um coração de ouro).

-Insensibilidade (coração de pedra, sem coração).

-Sensibilidade (coração mole).

-Dor (é de cortar o coração).

-Empenho máximo, boa vontade (doei de todo o coração).

-Triste (coração apertado).

Sei lá quantos significados mais podem existir. Espanto-me, pois ainda deixei de mencionar outras designações, tais como:
Coração: é nome popular de um queijo; é o nome que se dá a um desvio férreo de vias soldadas em ângulos agudos; e por ai vai.

Outras: Coração-de-boi (uma árvore); coração-de-estudante e coração-magoado (nome de plantas); aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!


A arte do abstrato

9 Junho, 2007
Pois nem tudo é matéria. Agora vou resgatar da arte imprecisa, simbolista, alheia ao concreto: a arte do abstrato.
Quando, como e porquê o homem se apega à religião? Ao misticismo? Em que ponto ele começa a crer na espiritualidade, na transcendência?
Como se explica aquela explosão interna da raiva, ou de amor que se espalha pelo coração, assim como num copo de água cristalina se espalha o pó de café, tornando-a turva?
A ciência diz que tudo é química. Hormônios, etc. Eu leio e gosto.
Mas eu também gosto das explicações poéticas de heterônimos, da arte do sonho, da interação eu-lírico-autor-leitor.
Gosto do texto científico, mas também gosto do texto como arte. A arte da representação do sentimento. A precisão e a imprecisão das palavras.
Há versos em que sinto exatamente o que o autor quis dizer, cujos contornos dados ao eu-lírico são definidos. Porém há outros em que não se tem certeza do que está se descrevendo. Há inúmeras possibilidades de interpretação, vários eu-líricos possíveis, depende apenas do leitor, do que este está sentindo quando lê.
Neste caso não há contornos… Tudo é fumaça. E nesta névoa literária se esconde o mistério, que reflete o próprio leitor.
Também adoro a musicalidade dessa névoa, cujos versos intensificam a camada sonora com assonâncias, onomatopéias, harmonias imitativas…
É incrível quando à esta mistura é adicionado o cromatismo, ou seja, palavras que sugerem cor, e para finalizar, quando há a sinestesia. Nesta, todos os sentidos se misturam. A cor passa a ter cheiro ou gosto. O gosto passa a ter tato. É a arte do abstrato.
Qual é o seu ponto de vista?